InícioAtualidadesBreve história de técnicos estrangeiros aqui no Brasil, e técnicos brasileiros no exterior.

Breve história de técnicos estrangeiros aqui no Brasil, e técnicos brasileiros no exterior.

Treinadores Estrangeiros no Brasil e Brasileiros no Exterior.
A recente saída de Jorge Jesus do comando técnico do Flamengo esta semana nos trouxe uma curiosidade sobre na história do futebol outros técnicos estrangeiros que já estiveram por aqui treinando algum clube brasileiro.
E também vamos abranger com relação às seleções, sabendo logo com certeza que somente o uruguaio Ramón Platero esteve a frente da seleção brasileira entre 1923 e 1925, nos Campeonatos Sul-Americanos (precursor da Copa América).

EM CLUBES BRASILEIROS
Foi o Fluminense que teve o 1º. técnico estrangeiro, em 1911, com o inglês Charles Williams, e conquistaria logo o campeonato carioca daquele ano, e posteriormente ainda no clube em 1924 e pelo América-RJ em 1928.
E naquelas décadas seguintes, outros técnicos, uruguaios, ingleses, da Itália e até da Hungria (Nicolas Landanyi) no Botafogo entre 1930 e 1932. Estes treinadores estiveram em clubes como Palmeiras, Vasco, Corinthians e Sport de Recife. E estas passagens foram com conquistas.

Quincey Taylor (Inglaterra) – campeão carioca pelo Fluminense em 1917 e 1918.
Ramon Platero (Uruguai) – campeão carioca pelo Fluminense (1919), pelo Vasco (1923/1924) e pelo Palmeiras no campeonato paulista em 1938.
Juan Carlos Bertone (Uruguai) – campeão carioca pelo Flamengo em 1925/1927.
Carlos Viola (Uruguai) – campeão pernambucano pelo Sport em 1928.
Virgílio Montarini (Itália) – campeão pelo Corinthians em 1929/1930.

Dentre outros, Ricardo Diez (Uruguai) conquistaria vários títulos estaduais, o gaúcho pelo Grêmio Santanense em 1937, o pernambucano pelo Sport em 1941, e outras 4 conquistas pelo Atlético-MG em 1949, 1950, 1954 e 1955. Outro estrangeiro que teve sucesso em Estaduais, foi Felix Magno (Uruguai) que foi campeão pelo Avaí em 1943/1944, pelo Atlético-MG em 1946/1947, e pelo Coritiba em 1951, 1954, 1956, 1957 e 1959.

O Uruguaio Ventura Cambón foi o primeiro a conquistar um título interestadual, o Rio-São Paulo pelo Palmeiras em 1951. Neste mesmo ano conquistaria a Copa Rio pelo time paulista.
O Argentino Carlos Volante, treinaria o Bahia na conquista histórica da Taça Brasil de 1959, e antes disso, o gaúcho pelo Internacional (1947/1948) e o baiano pelo Vitória (1953/1955).
Seguiram-se muitos outros técnicos conquistando títulos estaduais por América-RN, Sport-PE, Santa Cruz-PE, Náutico-PE, Bangú-RJ, São Paulo, Bahia, Flamengo, Paysandu-PA, Ceará, Sergipe, Itabaiana e Confiança-SE.

Já a partir dos anos 1960, outros técnicos que são mais lembrados no futebol brasileiro, também seguiram em conquistas. Filpo Nunez (Argentina) conquistando o Rio-São Paulo pelo Palmeiras em 1965, o também argentino Armando Renganeschi campeão carioca pelo Flamengo no mesmo ano, e mais outro da Argentina, José Poy, campeão paulista pelo São Paulo em 1975.

Décadas depois, Sérgio Dávila (Uruguai) campeão da Copa Norte pelo Sampaio Corrêa em 1998, Dario Pereyra (Uruguai) campeão mineiro pelo Atlético-MG em 1999 e Diego Aguirre (Uruguai) campeão gaúcho pelo Internacional em 2015.

Mais recentemente, além Jorge Jesus no Flamengo desde 2019, no próprio clube esteve Reinaldo Rueda em 2017, o Diego Aguirre também no Atlético-MG e São Paulo, ainda no tricolor paulista o argentino Edgardo Bauza em 2016, o português Paulo Bento no Cruzeiro em 2016 em curta passagem, além de Ricardo Gareca no Palmeiras em 2014 e Juan Carlos Osório da Colômbia no São Paulo em 2015.

Então muito claro se percebe que a vitoriosa estada de Jorge Jesus no Flamengo, nestes 12 meses teve sua importância, mas muitos outros tiveram carreiras longas, passando por clubes diferentes e conquistas de competições diferenças.

No contexto do futebol brasileiro, o que Jorge Jesus trouxe foi a soma de bom elenco, o comprometimento com os jogadores, evidentemente sua metodologia de trabalho, definindo uma postura intensa do time tanto na marcação como na criação, e adicionando a isso a torcida que motivada pelo resultados também contribui com o entusiasmo para alcançar as conquistas.

Afirmar que deixou um legado, isso já é mais complicado, pois apenas pouco mais de 8 meses de trabalho efetivo (o cenário da pandemia) foi o que realizou. Nos últimos anos, clubes como Cruzeiro (campeão brasileiro 2013/2014), da Copa do Brasil (2017/2018) e Estadual (2014/2018/2019), Palmeiras (Copa do Brasil 2015, Brasileiro 2016/2018) e Corinthians (Brasileiro 2015/2017) e Estadual (2017/2018/2019) foram muito mais além em destaques do que o Flamengo em sua inesquecível temporada de 2019.
Cabe sim ao futebol brasileiro, através de seus técnicos e jogadores, buscarem uma visão mais “capaz” de jogar futebol, e não ficar com estes esquemas de jogo fechado, anti-jogo, reclamações. O futebol tem que ser jogado.

EM CLUBES e SELEÇÕES ESTRANGEIRAS
Se em mais de um século, treinadores estrangeiros estiveram por aqui treinando nossos clubes, lá fora também nossos técnicos tiveram suas participações.
Em 1994, após o tetracampeonato mundial pela Seleção Brasileiro, Parreira vai para o Valencia e na temporada seguinte estaria treinando o Fenerbache, conquistando o título turco de 1996.
O ex-jogador do próprio PSG, Ricardo Gomes, comandaria o clube de paris em 1996-1998, e mais o Bordeaux (2005-2007) e Monaco (2007-2009), conquistando somente Copas por estes clubes.
Também após uma conquista de Copa do Mundo (penta em 2002), Luiz Felipe Scolari seguia para comandar a seleção portuguesa entre 2002 e 2008, um período marcante para o futebol luso mesmo com o vice europeu como sede em 2004 (a seleção portuguesa perdia para a Grécia) e semifinalista na Copa de 2006 na Alemanha. Quem surgia neste período para o futebol era o jovem Cristiano Ronaldo. Na seqüência foi para o Chelsea em 2008/2009, quando nem terminaria a temporada.

Campeão brasileiro pelo Palmeiras e pelo Corinthians, Vanderlei Luxemburgo comandaria os galácticos Zidane, Roberto Carlos, Ronaldo e Beckham no Real Madrid na temporada 2004/2005. Os resultados não foram bons e principalmente a relação do técnico com as “estrelas”.
O Zico depois de vários anos no futebol japonês nos anos 1990, passaria pelo futebol turco do Fenerbache (2006-2008), e também pelo CSKA Moscos e Olympiakos.
E mais outro ex-jogador, Leonardo (aqui no Flamengo e São Paulo), jogou pelo PSG e pelo Milan, o qual também foi treinador em 2009/2019 e por ironia no rival Internazionale em 2010/2011, quando conquistaria o título da Copa da Itália.

Em 1963, Danilo Alvim seria o primeiro brasileiro a treinar uma seleção estrangeira, a Bolívia. Ainda nos anos 1960, Carlos Alberto Parreira treinaria sua primeira de suas 7 seleções em que foi treinador: Gana (1967), Kuwait (1979-1983 e 1989), Emirados (1984-1988 e 1990), Arábia Saudita (1989-1990 e 1998), Tailândia (1990) e África do Sul (2007-2008 e 2009-2010).

Outros treinadores mais conhecidos rodaram o mundo. Antônio Lopes treinou o Kuwait entre 1983 e 1985, Candinho a Arábia Saudita em 1992 e 1993, Carlos Alberto Torres em Omã (2000-2001) e Azerbaijão (2004-2005), Cláudio Garcia na Arábia Saudita em 1991, e Didi na seleção peruana entre 1968 e 1970 inclusive na campanha da Copa do Mundo no México quando enfrentava a seleção brasileira.
Dino Sani treinava o Catar em 1989-1990, Edu Antunes na seleção do Iraque em 1986, Evaristo de Macedo, ex-jogador do Real Madrid e Barcelona nos anos 1960, esteve no Catar em 1980, 1986, 1992 e Iraque em 1986, Gilson Nunes no Marrocos (1995) e Costa Rica (2000-2001); Jairzinho no Gabão em 2003-2005, Joel Santana na África do sul em 2008-2009, Luiz Felipe Scolari, além de Portugal, também esteve pelo Kuwait em 1990, dentre muitos outros.
Fechando os técnicos brasileiros no exterior, Otto Glória esteve com a seleção portuguesa em 1964-1966, e depois em 1982-1983, além da Nigéria em 1979 a 1982. Paulo César Carpeggiani treinaria o Paraguai entre 1996 e 1998, e o Kuwait entre 2003-2004. Rene Simões com passagens por Jamaica, Trinidad e Tobago e Costa Rica, e também Rubens Minelli na Arábia Saudita em 1980, e Sebastião Lazaroni na Jamaica e Catar.
Por fim, Valdir Espinosa no Paraguai em 1993, Zico no Japão e Iraque, e Mário Jorge Lobo Zagallo no Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes.

Enfim, técnicos de futebol tem oportunidades em clubes e seleções, e tanto os brasileiros no exterior como os estrangeiros aqui no Brasil.
O futebol parece sempre ser o mesmo, mas uma boa infra-estrutura, bons jogadores, empenho e intensidade, levam ao sucesso.

FOTO: trivela.com

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